O mercado sobe no longo prazo. Mas isso não significa que qualquer ação sobe.
Existe uma diferença importante entre duas frases que parecem dizer a mesma coisa:
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“A bolsa tende a gerar riqueza no longo prazo.” E “se eu comprar boas ações e esperar bastante tempo, provavelmente vou ganhar dinheiro.”
A primeira afirmação encontra bastante respaldo histórico.
A segunda exige muito mais cuidado.
E existe um estudo muito interessante que ajuda a entender o motivo.
📊 O estudo que acompanhou milhares de ações
O professor Hendrik Bessembinder, da Arizona State University, analisou ações negociadas nos Estados Unidos desde 1926.
O resultado é surpreendente.
Quatro de cada sete ações analisadas tiveram, durante toda a sua existência em bolsa, retorno inferior ao de títulos do Tesouro americano de curtíssimo prazo.
Mais impressionante ainda:
as 4% melhores empresas foram responsáveis por explicar todo o ganho líquido de riqueza criado pelo mercado acionário americano no período estudado.
Isso acontece porque o retorno das ações individuais é muito desigual.
Algumas empresas podem desaparecer, quebrar ou simplesmente passar décadas entregando resultados medíocres.
Mas uma empresa excepcional pode multiplicar seu valor muitas vezes.
E são justamente essas poucas grandes vencedoras que fazem enorme diferença no resultado agregado do mercado.
🌎 E isso aconteceu apenas nos Estados Unidos?
Não.
Em outro trabalho, Bessembinder e outros pesquisadores analisaram quase 62 mil ações de diferentes países entre 1990 e 2018.
Novamente apareceu uma concentração enorme.
Segundo o estudo, 1,3% das empresas analisadas responderam pela criação líquida de US$ 44,7 trilhões de riqueza do mercado acionário global naquele período.
Ou seja: existe uma diferença gigantesca entre o desempenho do mercado de ações como conjunto e o desempenho de uma ação escolhida individualmente.
💡 O que isso muda para quem escolhe ações?
Imagine dois investidores.
O primeiro possui apenas três empresas.
O segundo possui uma carteira mais diversificada entre empresas, setores e até mercados diferentes.
Se uma das três empresas do primeiro investidor tiver um problema estrutural, uma parcela enorme do patrimônio dele estará comprometida.
O segundo investidor também poderá possuir empresas ruins.
A diferença é que ele depende menos de acertar cada escolha individualmente.
Esse é um dos motivos pelos quais diversificação não deve ser entendida apenas como uma tentativa de diminuir a oscilação da carteira.
Diversificar também diminui o custo de estar errado.
⚠️ Mas existe outro extremo
Isso também não significa que quem escolhe ações precise sair comprando 50 ou 100 empresas aleatoriamente.
Existe uma diferença enorme entre:
diversificar riscos
e
colecionar ativos.
Comprar empresas que você não entende simplesmente para aumentar a quantidade de ações na carteira não resolve o problema.
Você pode inclusive possuir 15 ações e continuar bastante concentrado.
Imagine uma carteira formada por cinco bancos, quatro seguradoras e seis empresas muito dependentes do mesmo ciclo econômico.
No aplicativo aparecem 15 códigos diferentes.
Economicamente, porém, vários deles podem estar expostos aos mesmos riscos.
🧠 Uma forma melhor de pensar em diversificação
Em vez de perguntar:
“Quantas ações eu deveria ter?”
experimente fazer quatro perguntas:
- Quanto do meu patrimônio depende da minha maior posição?
- Minhas empresas dependem dos mesmos fatores econômicos?
- Tenho exposição a negócios e mercados realmente diferentes?
- Se eu estiver completamente errado sobre uma empresa, minha carteira continua saudável?
A última pergunta talvez seja a mais importante.
📌 Faça uma conta simples
Imagine uma carteira de R$ 100 mil.
Se você colocar R$ 30 mil em uma única empresa, uma queda permanente de 60% nessa posição representa uma perda de R$ 18 mil.
Isso equivale a 18% de todo o patrimônio inicial.
Agora imagine que aquela mesma empresa representasse apenas 10% da carteira.
A mesma perda de 60% representaria R$ 6 mil, ou 6% do patrimônio inicial.
A empresa é exatamente a mesma.
O erro é exatamente o mesmo.
O que mudou foi o tamanho da consequência.
🎯 A Pílula de hoje
O investidor não precisa construir uma carteira imaginando que acertará todas as empresas.
Talvez seja mais inteligente construir uma carteira assumindo justamente o contrário:
em algum momento, você provavelmente estará errado.
E a carteira precisa sobreviver a isso.
Por isso, antes de procurar a próxima ação para comprar, faça um exercício.
Abra sua carteira e encontre suas três maiores posições.
Depois pergunte:
“Se minha tese estiver completamente errada em uma delas, quanto isso realmente machuca meu patrimônio?”
Essa resposta pode dizer muito mais sobre o risco da sua carteira do que simplesmente contar quantas ações você possui.
📚 Fontes e estudos
Quer conferir os estudos utilizados nesta Pílula? Acesse as fontes originais abaixo:
- Hendrik Bessembinder — Do Stocks Outperform Treasury Bills?, Journal of Financial Economics
- Hendrik Bessembinder, Te-Feng Chen, Goeun Choi e K.C. John Wei — Do Global Stocks Outperform US Treasury Bills?
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Conteúdo educacional. Os exemplos apresentados são simplificados e não constituem recomendação de compra ou venda de ativos.
- Hendrik Bessembinder — Do Stocks Outperform Treasury Bills?, Journal of Financial Economics.
- Hendrik Bessembinder, Te-Feng Chen, Goeun Choi e K.C. John Wei — Do Global Stocks Outperform US Treasury Bills?
- Vanguard — materiais educacionais sobre diversificação, ETFs e ações individuais.
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Conteúdo educacional. Os exemplos apresentados são simplificados e não constituem recomendação de compra ou venda de ativos.
